6 de junho de 2009 Blog

Morte e sentido da vida

Desidério Murcho
Depois de apresentar alguns factos psicológicos sobre a felicidade, James Rachels, no excerto de Problemas da Filosofia que acabo de publicar, "Felicidade, morte e absurdo", defende que a morte é um mal mas que daí não se segue que cancele o sentido da vida.

O que pensa o leitor?

8 comentários :

Jaime Quintas disse...

Confesso que ainda não resolvi vem o tema do sentido da vida.

Lembro-me de ler, na minha adolescência, um pequeno livro que nos colocava questões para nos fazer pensar. Um desses dessas questões era algo do género:

Preferias passar 2 anos numas férias paradisíacas, com tudo aquilo que gostas, no local que sempre desejaste, tudo do bom e do melhor mas sabendo que mal terminem as férias te vais esquecer de tudo e não vais ter qualquer evidência que as viveste? Ou, em alternativa, preferes passar uma semana de férias numa qualquer praia perto de casa e sem nada mais de especial mas sabendo que as vais recordar?

E a questão do sentido da vida está relacionada com esta questão. O que me “preocupa” não é tanto que a vida acabe, mas que no longo prazo tudo é indiferente. Tudo será esquecido, os vestígios da nossa (humanidade) existência desaparecerão, tudo será indiferente…

Assim sendo, não será a morte propriamente dita que cancela o sentido da vida, mas que o facto de que no longo prazo tudo é indiferente me perturba, ah isso perturba!

António Daniel disse...

Jaime, a solução poderá passar, não pelo lamento da presença do nada, mas pela glorificação dessa presença. O que pretendo dizer é que o sentido só é pensado na medida em que temos consciência do fim. O homem é um ser para a morte. É esta que justifica aquele, isto é, o tempo finito é justificado pela existência e a existência tem a sua razão de ser no tempo finito. Façamos o seguinte exercício: o que pensaríamos caso não tivéssemos consciência da morte? A vida seria diferente.

Anónimo disse...

Preferiríamos passar 2 meses sujeitos às mais atrozes torturas, mas sabendo que mal terminem essas torturas nos vamos esquecer de tudo e não vamos ter qualquer evidência que as vivemos, ou, em alternativa, preferiríamos sofrer um pequeno corte numa mão mesmo sabendo que o vamos recordar?

Anónimo disse...

Esqueci-me de assinar.

Pedro S. Martins

Nuno Maltez disse...

A morte dos outros pode cancelar o nosso sentido da vida, precisamente por aquela nos parecer causal. Perguntamos: porquê? E: porquê agora? Porquê desta maneira? E nada parece fazer sentido, por mais que os médicos se torçam em explicações. É como a explicação da banana; está tudo explicado, aparentemente, mas queremos ir mais além porque há algo que não compreendemos.

Nuno Maltez disse...

Perdão queria dizer "casual" em vez de "causal".

José Oliveira disse...

Este é o novo link do excerto: http://criticanarede.com/felicidadeemorte.html

Luis Carlos Rosa disse...

A morte é inerente à vida, não há vida sem morte. Há morte psicológica quando morremos de um modo de vida para outro e há a morte biológica porque, como diz Sartre, somos para morte. A questão é saber disso e continuar vivendo porque não temos como fugir dela. Pensar na morte é se perceber vivo e a vida bem vivida é uma vida feliz até no momento da nossa morte.

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