11 de junho de 2018 Blog

Contacto e descrição, Russell, James e... Grote

Desidério Murcho
Bertrand Russell




Com a sua habitual perspicácia, Aires Almeida chama-nos aqui a atenção para a paternidade da distinção entre conhecimento por contacto e por descrição, comummente atribuída a Russell. Este apresentou-a em 1911 num artigo do mesmo nome, “Knowledge by Acquaintance and Knowledge by Description”, que se tornou no capítulo 5 do livro que traduzi dele, Os Problemas da Filosofia (30% de desconto, só até quarta-feira), originalmente publicado em 1912 e uma das mais admiráveis introduções à filosofia.

Aires Almeida faz notar que William James já havia usado essa distinção no seu livro de 1890, The Principles of Psychology, e que seria justo atribuir-lhe a paternidade. Na verdade, parece que a distinção é anterior tanto a James quanto a Russell, remontando a John Grote, que a terá introduzido em 1865 aproximadamente nos termos que William James retomou. Este começou por citar Grote no seu livro, mas depois retirou a nota, como relata John Gibbins no livro John Grote, Cambridge University and the Development of Victorian Thought, mencionado na Times Higher Education por Keith Sutherland.

Se me parece haver aqui alguma surpresa é ter sido preciso chegar ao século XIX para ver esta distinção trivial. O próprio Grote declara que a distinção é antiga, mas usada com diferentes terminologias. Não ficaria admirado se um bom historiador da filosofia a encontrasse bem explicada bastante antes do século XIX.

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