12 de junho de 2018 Blog

Crença cristã avalizada

Desidério Murcho

A editora Vida Nova anuncia para o final de Julho a tradução de Warranted Christian Belief, de Alvin Plantinga. Apesar de o site não indicar o nome do tradutor, e apesar do título diferente, presumo que seja a minha tradução. Eu usei o termo mais comum “garantida”, e não “avalizada”, mas a opção editorial não é inadequada.

Esta é a obra maior da epistemologia reformista de Plantinga, uma área da filosofia da religião que é de algum modo a descendente contemporânea do fideísmo. Plantinga enfrenta o desafio de jure lançado à crença cristã: a ideia de que é irracional acreditar no deus teísta, e especificamente cristão, mesmo que exista, porque não há provas ou indícios (evidências, como hoje se diz) de que existe. Plantinga mostra que é logicamente possível que a crença cristã seja racional, porque é logicamente possível que esteja garantida ou avalizada (warranted). 

Mas o livro é imenso — 512 páginas — e está repleto de muitas outras ideias, irrelevantes para o ponto filosófico central, mas muitíssimo interessante para compreender o pensamento religioso de Plantinga. Uma dessas passagens, particularmente herética e chocante para cristãos mais comedidos, é a parte em que ele fala de eros, e defende que a santíssima trindade basicamente está o tempo todo numa orgia literalmente cósmica. Houve na idade média quem tivesse sido queimado por menos. Na Crítica temos publicado precisamente esse excerto curioso. Finalmente, quem quiser saber o que penso da defesa de Plantinga da racionalidade da crença cristã, pode ler o meu artigo “Epistemologia Reformista e Fragilidade Epistémica”, publicado na Revista Brasileira de Filosofia da Religião.

Boas leituras!

1 comentário :

Anónimo disse...

Senhor Desidério Murcho
Todas as suas críticas religiosas se baseiam num complexo psíquico mal resolvido remontando à sua mais tenra infância. Existe uma falha grave no estágio inicial da sua vida, eventualmente já com raízes na etapa biológica intra-uterina. Essa falha prende-se com traumas de privação grave de afeto da parte da sua mãe. Estando o senhor em fusão simbiótica com esta figura materna, é provável que tivesse comungando dos seus próprios estados emocionais, que seriam baseados num sentimento de fundo de rejeição e abandono. Talvez a sua mãe estivesse a viver isso com relação ao seu pai, ou quem sabe fosse apenas um estado de espírito remontando à sua própria pré-infância, que teria sido despoletado pela experiência da gravidez. Neste quadro, teríamos aqui uma mãe a viver uma depressão perinatal, com profundos sentimentos de desapoio, solidão e falta de confiança num Outro de quem não podia depender, em quem não se podia fiar. Aí está a sua matriz emocional para o seu cepticismo, que mais tarde, na vida adulta, se traduziu numa substituição da procura de afeto e confiança por uma estrutura de defesa racionalista. O senhor vive permanentemente a partir desse trauma de base que o alerta para duvidar de tudo o que possa representar um ideal de felicidade que nunca conseguiu atingir. Posto em palavras simples: o seu Eu resume-se a um conflito essencial entre o desejo de amor e proteção e a vontade de não precisar destes elementos, já que, intimamente, sabe que nunca os pôde obter. Então desenvolve uma defesa maníaca para dar escape ao desejo de amor frustrado, atacando e negando a fonte absoluta de satisfação e amor que as religiões descobriram.
Toda a sua vida e o seu trabalho têm sido uma afirmação rancorosa contra os seus progenitores/cuidadores:
"Não acredito no vosso amor e nem sequer preciso desse amor para nada, pois sou auto-suficiente."

Bem Haja. Procure tratamento psicodinâmico para fazer as pazes consigo e com a sua criança interior ferida e carente.

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